O ano de 2025 começou com uma grande mudança no setor de apostas esportivas e jogos online no Brasil. A data de 1º de janeiro marcou o início da regulamentação do mercado que não para de crescer e angariar adeptos em todo o país. Desde então, todas as empresas de betting que desejam operar em território nacional precisam estar autorizadas pela Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) do Ministério da Fazenda.
Nesta terça-feira (1), completam-se 90 dias desde que a nova lei entrou em vigor, período que foi fundamental para readaptação das marcas ao novo cenário.
CBO e RI da EstrelaBet, uma das principais casas de apostas do país, patrocinadora máster do Criciúma, Fellipe Fraga acredita que o novo formato trouxe mais segurança jurídica e criou um ambiente de negócios mais estruturado tanto para empresas, quanto para os apostadores.
“Uma das principais mudanças foi a saída da ‘zona cinza’ regulatória, o que permitiu que as operadoras passassem a atuar com regras bem definidas. Afinal, havia uma lei e a regulamentação ainda não estava em vigor. A regulamentação impôs requisitos técnicos e operacionais rigorosos, como a necessidade de identificação facial dos apostadores, o que impacta diretamente a segurança das transações e a prevenção à lavagem de dinheiro?. O mercado agora conta com entidades certificadoras credenciadas pelo governo, assegurando que as plataformas estejam em conformidade com padrões internacionais?”, revela Fellipe.
Na opinião do mandatário, o processo de regulamentação também apresentou impactos na publicidade, garantindo que os anúncios sigam sempre uma série de regras éticas, principalmente na proteção de menores de idade. Fraga reforça a ideia de que todos esses cuidados precisam ser mantidos diariamente, ao mesmo tempo em que é preciso encarar determinados desafios.
“O maior desafio para toda a cadeia está relacionado às bets ilegais. Além de operarem à margem das regras, essas plataformas frequentemente causam prejuízos aos clientes, dificultam a arrecadação de tributos pelo governo e comprometem a reputação das empresas que atuam de forma séria e em conformidade com a legislação”, completa.
Nesse contexto, o debate concentra muitas das suas atenções na questão da promoção e do incentivo ao Jogo Responsável. Afinal de contas, não basta apenas atuar dentro da lei, é necessário também criar ações e ferramentas que protejam a saúde do público.
“Temos adotado diversas iniciativas para combater o vício em jogos e promover o jogo responsável. Uma delas é a parceria inédita com a Universidade FUMEC. Entre as principais ações, destaca-se a oferta de sessões gratuitas de aconselhamento psicológico para jogadores que buscarem ajuda ou forem identificados com comportamento de risco”, explica Fellipe Fraga, da EstrelaBet.
“A equipe de atendimento da EstrelaBet passa por treinamentos específicos para reconhecer sinais de jogo patológico e encaminhar os usuários para suporte especializado. A parceria também prevê o desenvolvimento de análise preditiva e modelos estatísticos para mapear padrões de comportamento de risco, permitindo uma abordagem mais proativa na identificação e prevenção de possíveis casos de vício”, conclui.
Para Marco Tulio, CEO da Ana Gaming, empresa que detém o controle das marcas 7K, Cassino e Vera, indica que os números de 2025 possam refletir um novo patamar para o setor, com maior formalização, aumento da arrecadação fiscal e um impacto econômico ainda mais expressivo.
“As apostas esportivas impulsionam uma ampla cadeia de fornecedores e serviços, abrangendo áreas como patrocínios, publicidade, desenvolvimento de software, atendimento ao cliente, análise de dados, eventos, confecção de brindes para ativações e entre outras áreas”, disse.
“Além disso, o impacto no ecossistema esportivo é significativo, já que as casas de apostas se tornaram grandes patrocinadoras de clubes, ligas e atletas, fomentando o desenvolvimento do esporte no Brasil”, complementou.
Segundo Marcos Sabiá, CEO do galera.bet, o Brasil conta a oitava maior economia do mundo, que tem uma relação histórica com jogos, combinado com um sistema financeiro que propiciou meios de pagamento rápidos e seguros e a chegada de gigantes do setor que já atuam em países desenvolvidos e regulados, trazendo sua expertise e tecnologia, e possibilitando o estabelecimento de uma indústria relevante no entretenimento.
“Destaco três setores: meios de pagamento, tecnologia e marketing, em especial o mercado publicitário e de patrocínios. Sem dúvida, o sistema financeiro do Brasil, que conta com instituições sólidas e tecnologia pujante em numerosas instituições de pagamento, além de meios de pagamento avançados como o Pix, propiciou o florescimento de um mercado saudável e seguro nos jogos online”, avaliou o executivo.
Já a BETesporte, patrocinadora máster dos clubes CRB, CSA e Volta Redonda, tem utilizado seus embaixadores para aumentar o alcance da mensagem em prol do Jogo Responsável.
“Com a regulamentação e as novas diretrizes, nós sentimos que o público está mais confiante para realizar suas apostas, aliás, checando as casas que estão regulamentadas ou não. Sendo assim, enxergamos com bons olhos este primeiro momento. Estamos sempre atentos às normas e principalmente ao conteúdo que estamos promovendo. Inclusive, a nossa nova campanha com o Zico foi pensada já no Jogo Responsável, com o slogan ‘Craque de verdade joga com responsabilidade!’”, pontua Vinicius Nogueira, CEO da BETesporte.
As melhorias no mercado quanto à temática do Jogo Responsável também são destacadas pela EBAC, companhia que oferece suporte para pessoas compulsivas. Cristiano Costa, psicólogo e diretor de conhecimento (CKO) da empresa, analisa o tema.
“Os resultados do primeiro trimestre de 2025 são amplamente positivos. Observamos uma vigorosa mobilização das bets para conhecer e adotar os procedimentos exigidos pela regulamentação para o atendimento especializado ao apostador com perfil de risco. A maioria foi além da criação da Ouvidoria exigida pela norma, por exemplo, e estão estruturando setores de compliance de amplo alcance e poder decisório, onde importantes discussões estão acontecendo para promoção do bem-estar do apostador”, destaca.
Outro ponto importante que foi possibilitado pela regulamentação é a profissionalização do setor, como pontua Feliphe Almeida, CTO da LuckBet, a única empresa de betting da cidade de Cuiabá autorizada a operar no Brasil e que tem o ator e piloto Caio Castro como principal embaixador.
“A principal mudança que já pode ser notada é a profissionalização do mercado, com empresas adotando práticas mais responsáveis e alinhadas às diretrizes governamentais. Além disso, a regulamentação permitiu que as empresas investissem mais em tecnologia e inovação, oferecendo uma experiência mais robusta e segura para os usuários. A credibilidade do setor aumentou, e isso tem atraído um público mais diversificado, que antes poderia ter receio de entrar nesse mercado”, afirma Almeida.
“A LuckBet já operava com um forte foco no jogo responsável, mas a regulamentação nos permitiu aprimorar ainda mais nossas práticas. Implementamos medidas como a autorregulação, verificação de realidade e opções de autoexclusão, além de oferecer suporte profissional especializado por meio de parcerias com organizações como Gambling Therapy e GambleAware. Para os próximos meses, estamos planejando novas ações educativas, como campanhas de conscientização sobre os riscos do jogo compulsivo e a promoção de ferramentas que ajudam os usuários a gerenciar melhor seus hábitos de apostas”, acrescenta Feliphe.
Pelo ponto de vista da área do marketing e gestão de negócios, a regulamentação também foi recebida de forma positiva. Fundador da consultoria brmkt.co, que atua nas áreas de estratégia, branding e desenvolvimento, Ricardo Bianco é especialista em gambling e aponta que a regulamentação trouxe avanços importantes, especialmente na fiscalização e na integridade do setor.
“Um dos principais pontos positivos foi o aumento da segurança e da transparência. A implementação do Sistema de Gestão de Apostas (Sigap) pelo governo federal fortaleceu a fiscalização, garantindo um monitoramento mais rigoroso das operações. Além disso, a exigência de que todas as transações sejam feitas via Pix por Instituições de Pagamento (IPs) ou Instituições Financeiras (IFs) reguladas pelo Banco Central ajudou a evitar fraudes e tornar o rastreamento financeiro mais eficiente”, afirma o especialista.
“Outra medida relevante foi o bloqueio de mais de sites irregulares, protegendo tanto os consumidores contra operações fraudulentas, quanto os operadores licenciados, que agora competem em um ambiente mais justo”, finaliza.
Já na Paag, techfin que oferece soluções tecnológicas para o setor iGaming, a gerente de projetos estratégicos Elisa Mossulino destaca que desde a regulamentação o mercado tem ganhado em segurança, seriedade e em nível estratégico, além de também debater em torno de temas como segurança, sistema antifraude, prevenção à lavagem de dinheiro e outras questões que ganharam mais evidência a partir da regulamentação.
“De uma forma geral existe uma segurança muito muito maior de investir nesse mercado e de olhar para ele com grande potencial. Hoje existe um Norte nesse mercado. As principais mudanças que eu tenho percebido é o nível de conversa que está existindo. Está cada vez mais voltado para assuntos e temáticas extremamente importantes como: Quais são as proteções que um operador pode ter no antifraude? Quais são as experiências que o operador está gerando para o jogador? Existe uma análise muito mais profunda agora como nas campanhas de marketing”, ressalta.
Com a maior seriedade obtida no setor após a regulamentação, Bernardo Freire, consultor jurídico da Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) e sócio da empresa Betlaw, projeta também a possível legalização dos cassinos, tema que também é discutido atualmente. “Vejo o sucesso do jogo eletrônico como uma possibilidade de mostrar que não há nada de errado em termos cassino. E, assim como as bets, pode impulsionar um ecossistema que traz consigo o turismo, a aviação, a gastronomia, a hotelaria. Diversos setores que se beneficiam com isso”, disse.
Fonte: GMB